Croton urucurana Baill.

Sangra d'água e sangue-de-dragão.

Família 
Informações gerais 

Nativa do Brasil, encontra-se distribuída em todas as regiões do país, principalmente em terrenos úmidos e pantanosos, especialmente na Amazônia. Ocorre também no Uruguai e Argentina. Suas principais indicações são: hemostática, anti-inflamatória, antisséptica, antibacteriana, antifúngica, cicatrizante, vulnerária e anti-herpética[1,2,3].

Referências informações gerais
1 - PEREIRA, A. M. S. et al. Formulário Fitoterápico da Farmácia da Natureza. 2 ed. São Paulo: Bertolucci, 2014, p. 96-97.
2 - FERRO, D. & PEREIRA, A. M. S. Fitoterapia: Conhecimentos tradicionais e científicos, vol. 1. 1 ed. São Paulo: Bertolucci, 2018, p. 273-277.
3 - LORENZI, H. & MATOS, F. J. de A. Plantas medicinais no Brasil: Nativas e exóticas. 2 ed. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora Ltda, 2008, p. 243-244.
Descrição da espécie 

Árvore decídua, heliófita, pioneira, higrófita, de até 16 m de altura, de copa aberta, tronco de até 35 cm de diâmetro, de coloração clara, libera uma seiva avermelhada em contato com o ar; as folhas são simples, cordiformes, alternas, pubescentes, palmatinérveas, membranáceas, nas folhas jovens a face adaxial é ferrugínea-tomentosa, a face abaxial tomentosa, ferrugínea nas nervuras, de coloração vermelho-amarelada antes de caírem no outono; inflorescência do tipo racemosa, com flores pequenas, diclinas, de coloração amarelo-esverdeada; fruto capsular, uniloculado, separado em 3 ocas (onde estão alojadas as sementes), seco, de coloração castanha quando maduro, com superfície rugosa, medindo cerca de 5,0 mm de diâmetro x 4,0 mm de altura; as sementes são ovaladas, coriáceas, com carúncula castanho-claro pouco desenvolvida, com testa de coloração castanho à preto, medindo cerca de 3,2 mm de comprimento x 2,7 mm de largura[1, 2,3].

Referências descrição da espécie
1 - FERRO, D. & PEREIRA, A. M. S. Fitoterapia: Conhecimentos tradicionais e científicos, vol. 1. 1 ed. São Paulo: Bertolucci, 2018, p. 274.
2 - LORENZI, H. & MATOS, F. J. de A. Plantas medicinais no Brasil: Nativas e exóticas. 2 ed. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora Ltda, 2008, p. 243.
3 - CAMILLO, J.; VIEIRA, R. F. Croton urucurana. In: VIEIRA, R. F. V. et al. (Ed.). Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: Plantas para o Futuro: Região Centro-Oeste. Brasília, DF: MMA, 2016. p. 753-754.
Etnobotânica
Nome popular Local Parte da planta Indicação Modo de preparo Forma de uso Restrição de uso Referências
Drago, sangue-de-drago, sangra-d’água e tapexingui Amazônia (indígenas) Seiva

No tratamento de ferimentos, anti-hemorrágica e cicatrizante.

-

Uso externo.

-

[ 1 ]
Drago, sangue-de-drago, sangra-d’água e tapexingui Brasil Seiva ou casca

Anti-hemorrágica, anti-inflamatória, antisséptica, antiviral, cicatrizante e vulnerária.

-

Uso externo.

-

[ 1 ]
Drago, sangue-de-drago, sangra-d’água e tapexingui Brasil Seiva ou casca

No tratamento de úlceras estomacais e intestinais.

-

Uso interno.

-

[ 1 ]
Drago, sangue-de-drago, sangra-d’água e tapexingui Brasil Seiva ou casca

anti-hemorrágica, anti-inflamatória, antisséptica, antiviral, cicatrizante e vulnerária.

-

Uso externo.

-

[ 1 ]

Referências bibliográficas

1 - LORENZI, H. & MATOS, F. J. de A. Plantas medicinais no Brasil: Nativas e exóticas. 2 ed. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora Ltda, 2008, p. 243.

Anti-inflamatória e Antinociceptiva

Anti-inflamatória e Antinociceptiva
Parte da planta
Extrato / RDD / Padronização
Modelo de ensaio in vitro / in vivo Conclusão Referências
Caule (casca)

Extrato: maceração de 1 kg do material vegetal (pó) em 4 L de metanol. Rendimento: 15,4%. Doses para ensaio: 25, 100 e 400 mg/kg.

In vivo:

Em camundongos Swiss submetidos aos ensaios de edema de pata e recrutamento de leucócitos na cavidade peritoneal, contorções abdominais e tempo de lambedura da pata, induzidos por carragenina, ácido acético e formalina, respectivamente.

Observou-se que o extrato de C. urucurana apresenta atividades anti-inflamatória e antinociceptiva, principalmente nas doses de 25 e 100 mg/kg, e 400 mg/kg, respectivamente.

[ 1 ]

Antibacteriana

Antibacteriana
Parte da planta
Extrato / RDD / Padronização
Modelo de ensaio in vitro / in vivo Conclusão Referências
Casca

Extrato hidroalcoólico. Extrato metanólico: 3600 g do material vegetal (pó) em 5 L de metanol; rendimento: 424,13 g; frações: n-hexano, n-hexano/diclorometano, acetato de etila e metanol.

In vitro:

Em cepas de Staphylococcus aureus e Salmonella typhimurium para determinar a concentração inibitória mínima.

 

Observou-se que o extrato hidroalcoólico, frações de hexano e n-hexano/diclorometano apresentaram atividade antibacteriana mais potentes (MIC = 2,0, 3,5 e 0,8, respectivamente), principalmente para S. aureus.

[ 7 ]

Antidiarreica

Antidiarreica
Parte da planta
Extrato / RDD / Padronização
Modelo de ensaio in vitro / in vivo Conclusão Referências
Seiva (caule)

Dose para ensaio: 400, 600 e 800 mg/kg.

In vivo:

Em ratos Wistar e camundongos Swiss portadores de diarreia induzida por óleo de mamona, acúmulo de fluido intestinal induzido por toxina da cólera, e avaliação do trânsito intestinal delgado.

Observou-se que a seiva de C. urucurana apresenta atividade antidiarreica, principalmente na dose de 600 mg/kg.

[ 6 ]

Antifúngica

Antifúngica
Parte da planta
Extrato / RDD / Padronização
Modelo de ensaio in vitro / in vivo Conclusão Referências
Caule (casca)

Liofilização: 600 mL. Rendimento: 3,08%. Concentrações para ensaio: 18,75 a 300 mg/mL, e 0,15 a 5 mg/mL.

In vitro:

Em linhagens de dematófitos: Trichophyton mentagrophytes, T. tonsurans, T. rubrun, Microsporum canis e Epidermophyton floccossum, submetidos aos métodos de difusão em disco (5 mm) e diluição em tudo para determinar a concentração inibitória mínima (CIM).

 

Observou-se que a seiva de C. urucurana apresenta atividade antifúngica, nas concentrações de 0,175 a 3,0 mg/mL, com CIM = 1,25 a 2,5 mg/mL.

[ 5 ]

Antinociceptiva

Antinociceptiva
Parte da planta
Extrato / RDD / Padronização
Modelo de ensaio in vitro / in vivo Conclusão Referências
Seiva (caule)

Liofilização: 600 mL. Rendimento: 3,08%. Doses para ensaio: 200 e 400 mg/kg.

In vivo:

Em camundongos Swiss submetidos a dor visceral induzida por ciclofosfamida e capsaicina, teste de campo aberto e tempo de sono induzido por pentobarbital.

Observou-se que a seiva de C. urucurana apresenta atividade antinociceptiva, contudo não houve alteração da atividade locomotora e efeito sedativo.

[ 3 ]

Antiofídica

Antiofídica
Parte da planta
Extrato / RDD / Padronização
Modelo de ensaio in vitro / in vivo Conclusão Referências
Caule (casca)

Extrato: 1 kg do material vegetal em 3 L de água. Frações: aquosa, etanólica, metanólica e butanólica.

In vivo:

Em ratos Wistar submetidos a administração intradérmica dorsal de veneno de Bothrops jararaca, com posterior análise gráfica do halo hemorrágico e quantificação de hemoglobina.

Observou-se que os métodos apresentados foram efetivos para quantificar a ação hemorrágica do veneno, e que a fração butanólica do extrato etanólico de C. urucurana apresenta atividade antiofídica potente, devido a presença, principalmente das proantocianidinas.

[ 4 ]

Antiulcerogênica e Gastroprotetora

Antiulcerogênica e Gastroprotetora
Parte da planta
Extrato / RDD / Padronização
Modelo de ensaio in vitro / in vivo Conclusão Referências
Caule (casca)

Extrato metanólico. Doses para ensaio: 50, 150 e 250 mg/kg.

In vivo:

Em ratos Wistar portadores de úlceras gástricas induzidas por etanol, indometacina e ácido acético, e análise de mecanismos gastroprotetores.

O extrato metanólico de C. urucurana apresenta atividade antiulcerogênica e gastroprotetora curativa ou preventiva, dose-dependente, pois aumenta a produção de muco e reduz a acidez gástrica, além de não apresentar efeitos tóxicos.

[ 2 ]
Ensaios toxicológicos

Toxicidade aguda e subaguda

Toxicidade aguda e subaguda
Parte da planta Extrato / RDD / Padronização Modelo de ensaio in vitro / in vivo Conclusão Referências
Casca

Extrato metanólico. Dose para ensaio: 100 e 2000 mg/kg.

In vivo:

Em ratas Wistar submetidas ao teste de toxicidade subaguda e aguda.

Observou-se que o extrato metanólico das cascas de C. urucurana não apresenta efeitos tóxicos significativos.

[ 9 ]

Toxicidade fetal e materna

Toxicidade fetal e materna
Parte da planta Extrato / RDD / Padronização Modelo de ensaio in vitro / in vivo Conclusão Referências
Látex (caule)

Extrato aquoso. Concentração: 200 mg/mL. Dose para ensaio: 200, 400 e 800 mg/kg.

In vivo:

Em ratas Wistar prenhes tratadas com o extrato vegetal, com posterior análise sorológica (proteínas totais, triglicerídeos, colesterol total, LDL, HDL, VLDL, AST e ALT), e histológica (coração, fígado e rins) materna, e embrionária (reabsorção, locais de implantação, número de corpos lúteos e incidência de anomalias externas e internas).

O extrato aquoso do látex de C. urucurana apresentou toxicidade materna, comprometendo consequentemente, o desenvolvimento embrionário, principalmente nas doses de 400 e 800 mg/kg.

[ 8 ]

Referências bibliográficas

Farmácia da Natureza
[ 1 ]

Fórmula

Alcoolatura

Componente

Quantidade

Álcool etílico/água 80%

1000 mL

Entrecasca fresca

200 g

                                                                         * Após a filtragem ajustar o teor alcoólico da alcoolatura para 70%, com adição de álcool etílico 96%, se necessário. 
Modo de preparo

Alcoolatura: pesar 200 g de entrecasca fresca, lavar, picar e colocar em frasco de vidro âmbar; em seguida adicionar 1000 mL de álcool etílico a 80%, tampar bem o frasco e deixar a planta em maceração por 7 dias, agitando o frasco diariamente. Após esse período, filtrar em papel de filtro e envasar em frasco de vidro âmbar.

Principais indicações

Úlceras cutâneas crônicas.

Posologia

Uso tópico: na forma de gel ou pomada, aplicar sobre a úlcera 1 vez ao dia.

Referências bibliográficas

1 - PEREIRA, A. M. S. et al. Formulário Fitoterápico da Farmácia da Natureza. 4 ed. São Paulo: Bertolucci, 2024, p. 100-101.

Dados Químicos
[ 1 , 2 , 3 , 4 , 5 , 6 ]
Marcador:
Principais substâncias:

Açúcares

fucose, arabinose, galactose, manose, xilose, glicose e ácido urônico.

Alcaloides

tembetarina, magnoflorine e taspina.

Ciclopeptídeo

[1−9-NαC]-crourorb A1.

Diterpenos

ácido hardwickiico, bicantriol, crolequinol, ácido crolequínico, korberina A e B, sonderianina, dimetil-3-oxo-12-epi-barbascoato e metil-12-epi-barbascoato.

Fitosteróis

β-sitosterol-O-glucosídeo.

Flavonoides

(+)-catequina e (-)-epicatequina, (+)-galocatequina e proantocianidina (procianidina B3).

Lignanas

dimetilcedrusina.

Óleos essenciais

borneol, acetato de bornila, cadina-4, 10-(14)-dien-1α-ol, sesquicineol, dihidro-sesquicineole, β-cariofileno, α e β-bisabolol, germacreno D, biciclogermacreno, β-elemeno, 6-metil-5-hepten-2-one, trans e cis-α-bergamoteno, γ-elemeno, γ-gurjuneno epóxido, sesquisabineno, (Z)-γ-bisaboleno, (E)-nerolidol, gossonorol, selin-11-en-4α-ol, 1-isopropil-7-metil-4-metileno-1,3,4,5,6,8-hexaidro-2H-naftalen-4a-ol, α-eudesmol (9,3%) e guaiol.

Polissacarídeos

fucoarabinogalactano.

Taninos

Triterpenos

ácido acetil aleuritólico.

Referências bibliográficas

Advertências: 

suspender o uso se houver alguma reação indesejável[1].

Contraindicações: 

em gestantes e lactantes[2].

Efeitos colaterais e toxicidade: 

não há dados na literatura.

Interações medicamentosas: 

não há dados na literatura.

Referências bibliográficas

Propagação: 

é realizada por sementes, sendo que as de cor cinza apresentam melhor taxa de germinação, contudo, não necessitam de tratamentos pré-germinativos. A incubação das sementes em temperaturas alternadas (20/30°C) ou a imersão das mesmas em água fria por 2 horas antes da sementeira, pode aumentar a produção de mudas. Deve-se usar substrato organo-argiloso, cobrindo a semente com uma fina camada, e colocar para germinar em canteiros sombreados e irrigar 2 vezes ao dia. A transferência das plântulas para saquinhos plásticos ocorre quando atingirem de 4 a 5 cm de altura, e o transplantio para local definitivo, somente após 4 a 5 meses. Prefere solos úmidos e pantanosos [ 1 , 2 , 3 ] .

Colheita: 

a parte aérea das plantas, segundo a sabedoria popular, de ser colhida preferencialmente pela manhã, na lua cheia ou nova, enquanto que as partes subterrâneas devem ser colhidas na lua minguante [ 1 ] .

Problemas & Soluções: 

a germinação pode ser afetada, devido ao ataque de coleópteros, após a deiscência dos frutos. Existem pesquisas para o desenvolvimento de protocolos para micropropagação desta espécie [ 2 ] .

Referências bibliográficas

Parceiros